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No Caminho de Swann, de Marcel Proust, chegou às livrarias de Paris em novembro de 1913 pela editora Bernard Grasset. Proust, nascido em 1871, pagou a edição do próprio bolso, porque outras casas tinham recusado o manuscrito.
A recusa mais famosa veio da Nouvelle Revue Française (a revista literária que deu origem à editora Gallimard). André Gide, um dos fundadores, folheou o manuscrito em 1912 e o devolveu. Pouco mais de um ano adiante, escreveu a Proust para se desculpar.
“A recusa deste livro continuará sendo o mais grave erro da NRF”, escreveu André Gide em carta a Marcel Proust, em janeiro de 1914. A Gallimard ficou com os direitos e lançou os volumes seguintes a partir de 1919.
O livro se divide em três partes. A primeira, Combray, traz a infância do narrador na cidadezinha do interior francês onde a família passava as férias. Ali fica o episódio mais citado da obra inteira.
O narrador, já adulto, molha no chá um pedaço de madeleine (bolinho francês em forma de concha). O gosto devolve de uma só vez a infância em Combray: as ruas, a igreja, o quarto da tia Léonie. Proust chama o fenômeno de memória involuntária, a lembrança que volta sem ter sido procurada.
Um amor dentro do livro
A segunda parte, Um Amor de Swann, muda de tempo e de tom. Conta, em terceira pessoa, o ciúme de Charles Swann, amigo da família do narrador, por Odette de Crécy, anos antes de o narrador nascer. Muitos leitores acham esta a parte mais fácil, e ela circula até como livro avulso.
A terceira, Nomes de Lugares: o Nome, é a mais curta. Volta à primeira pessoa e mostra o narrador menino apaixonado por Gilberte, filha de Swann e Odette, nos jardins dos Champs-Élysées, em Paris.
A abertura do livro dá a medida do ritmo. A primeira frase, “Durante muito tempo, costumava deitar-me cedo”, na tradução de Mario Quintana, puxa dezenas de páginas sobre o quarto escuro, o sono e o despertar antes de qualquer acontecimento.
Por que medir cem páginas, e não cinquenta? Porque a madeleine aparece dentro desse trecho, e é nela que a lentidão de Proust ganha sentido. Quem para antes julga o livro pela sala de espera.
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O primeiro volume já traz o método inteiro: quem atravessa Combray atravessa os outros seis.
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