A resposta de ontem Qual foi a primeira história de Ruth Rocha na revista Recreio? Foi "Romeu e Julieta", publicada na revista Recreio em 1969: duas borboletas de cores diferentes, proibidas de brincar juntas, que se perdem na floresta e unem as famílias. Ruth Rocha trabalhava como orientadora educacional e começou a escrever para a revista a convite da editora da publicação, Sonia Robatto. |
O Lonely Planet nasceu em 1973, em Sydney, na Austrália, pelas mãos do casal britânico Tony Wheeler e Maureen Wheeler. No ano anterior, os dois tinham atravessado a Ásia por terra, saindo de Londres, com pouco dinheiro e uma van velha que os levou até o Afeganistão.
Na chegada, amigos queriam saber como repetir a rota. O casal escreveu as respostas na mesa da cozinha e montou o primeiro livro, Across Asia on the Cheap (Atravessando a Ásia gastando pouco), com 94 páginas dobradas e grampeadas à mão.
A tiragem se esgotou nas livrarias de Sydney. Em 1975 veio Southeast Asia on a Shoestring (Sudeste Asiático com o orçamento apertado), de capa amarela, que os mochileiros passaram a chamar de bíblia amarela. O nome da editora saiu de um verso mal ouvido de uma canção de Joe Cocker: o casal entendeu “lonely planet” (planeta solitário) onde a letra dizia “lovely planet” (planeta adorável).
O formato
O desenho dos guias ficou parecido desde então. O volume abre pelos destaques do destino, passa por história e cultura e depois desce para as páginas de serviço: onde dormir, onde comer, como chegar, quanto custa e a que horas abre.
As páginas de serviço são a parte que vendeu o livro para o mochileiro dos anos 1970, sem internet e sem telefone no bolso. Um endereço errado custava uma noite na rua. Daí a editora mandar autores para o campo, com a missão de visitar, conferir e anotar.
A marca cresceu e trocou de dono algumas vezes. A BBC Worldwide comprou a maior parte da empresa em 2007 e o restante em 2011. Em 2013 vendeu a editora para a NC2 Media, e em 2020 a Red Ventures, empresa americana de mídia digital, assumiu o controle.
Por que o papel envelhece
Todo guia impresso vive uma corrida contra o calendário. O autor apura, a redação edita, a equipe de cartografia desenha os mapas, a gráfica imprime, a distribuidora espalha. Quando o volume chega à prateleira, a apuração já tem meses.
Depois, ele fica à venda até a edição seguinte. A editora revisa os destinos mais procurados com mais frequência, e os destinos de pouca procura esperam mais tempo entre uma edição e outra. Quem compra no fim do ciclo leva uma apuração bem mais velha do que a capa sugere.
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O guia envelhece em duas velocidades: a escolha dos lugares dura anos, o horário e o preço duram meses.
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A parte lenta é a curadoria. Uma catedral, um mirante e um bairro bom de caminhar continuam no lugar por décadas. A parte rápida é o serviço, e é nela que o leitor tropeça: o restaurante recomendado virou farmácia, o museu fecha às segundas desde a última reforma.
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