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A Bíblia é uma coleção de livros escritos ao longo de mais de mil anos, em hebraico, aramaico (língua semítica falada no Oriente Médio antigo) e grego. A versão protestante reúne 66 livros; a católica, 73, porque inclui sete livros do Antigo Testamento, como Tobias, Judite e os dois de Macabeus, que a tradição judaica e a protestante deixaram fora do cânone (a lista oficial de livros aceitos).
O Antigo Testamento reúne leis, crônicas de reis, poesia, profecia e sabedoria. O Novo Testamento, escrito em grego no primeiro século da era cristã, traz os quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as cartas dos primeiros líderes cristãos e o Apocalipse.
O caminho até o best-seller passa pela gráfica. Johannes Gutenberg imprimiu em Mainz, na Alemanha, uma Bíblia em latim de 42 linhas por página, concluída em torno de 1455. Ela é o primeiro grande livro europeu feito com tipos móveis (letras de metal soltas, montadas para compor cada página).
No século XIX, as sociedades bíblicas transformaram distribuição em rotina. A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira nasceu em Londres em 1804 com a meta de imprimir Bíblias baratas em todas as línguas possíveis; no Brasil, a Sociedade Bíblica do Brasil foi fundada em 1948 e mantém a tradução Almeida em várias revisões.
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Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho.
Salmo 119, versículo 105, Almeida Revista e Atualizada, 1993
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O salmista fala de uso diário, passo a passo, e é assim que muitos leitores usam o livro: um trecho por manhã, anos a fio. A tradução portuguesa mais difundida começou com João Ferreira de Almeida, pastor nascido em Portugal que publicou o Novo Testamento em Amsterdã em 1681.
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Uma Bíblia de estudo carrega dois livros no mesmo miolo: o texto bíblico e um comentário que ocupa boa parte de cada página. O segundo livro força o papel fino, a letra pequena e a lombada grossa.
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As edições de estudo acrescentam introdução a cada livro (autor provável, data, contexto), notas explicativas no pé da página, referências cruzadas na coluna central, concordância (índice alfabético de palavras com os versículos onde aparecem) e mapas coloridos no fim.
No Brasil, circulam títulos como a Bíblia de Estudo de Genebra, da editora Cultura Cristã, de linha protestante, e a Bíblia de Jerusalém, da Paulus, com notas de linha católica. A escolha entre elas passa pela tradição de quem lê; o acabamento vale para as duas.
O que o livro entrega: narrativa, poesia e lei lidas por gerações seguidas. O que a edição de estudo cobra: um objeto grosso, pesado e aberto centenas de vezes por ano, o que põe o acabamento no centro da compra.
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