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A conta de páginas por dia da lista da Fuvest

A lista sai cedo e repete os títulos em vestibulares seguidos: somar as páginas e dividir pelos dias até a prova dá a meta diária.

Pilha de romances da lista da Fuvest ao lado de um calendário de parede.

Nove livros divididos pelos dias até a prova

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Um romance de Clarice Lispector, uma calculadora de celular, um calendário de parede. Os três cabem na mesma escrivaninha e resolvem a pergunta que mais assusta o candidato à USP em outubro: dá tempo de ler a lista inteira?

A lista é a de leituras obrigatórias da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular, a banca que seleciona os alunos da Universidade de São Paulo). Ela reúne romances, contos, poemas e ensaios que caem na prova de Língua Portuguesa e Literatura, cobrados com detalhe de enredo, personagem e linguagem.

O medo costuma vir da pilha. Nove livros empilhados parecem uma montanha, e o estudante adia a primeira página porque não enxerga o fim. Adiar, nesse caso, cobra juros: cada mês parado aumenta a cota dos meses que sobram.

A pilha engana porque ninguém lê nove livros de uma vez. Lê-se uma quantidade pequena por dia, e a Fuvest entrega duas vantagens que tornam a conta favorável a quem começa cedo.

A primeira vantagem é o aviso antecipado. A banca publica a lista com bastante folga antes do exame, de modo que o candidato sabe o que vai cair muito antes de se inscrever.

A segunda é a repetição. Os mesmos títulos valem para vestibulares seguidos, então quem começa no primeiro ano do ensino médio tem a chance de ler cada obra com calma, e não às pressas no último semestre.

Com essas duas vantagens, a montanha vira uma divisão simples: o total de páginas da lista dividido pelos dias que faltam até a prova. O resultado costuma ser um número que cabe num intervalo de almoço ou no trajeto de ônibus.

A seção I mostra que lista é essa e por que ela muda devagar. A II monta a ficha da conta, com os números que o candidato precisa anotar. A III transforma o resultado numa rotina de leitura que sobrevive à semana de provas do colégio.

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I  O Livro em 3 Minutos

Nove livros que ficam na mesa por anos

A lista de leituras obrigatórias da Fuvest é o conjunto de obras literárias que a banca cobra no vestibular da USP. Em 2024, a Fuvest anunciou uma lista formada só por livros escritos por mulheres, válida para os vestibulares a partir de 2026.

Entre os títulos estão “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, publicado em 1964; “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles, de 1973; “Caminho de Pedras”, de Rachel de Queiroz, de 1937; e “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta, de 1853, um dos primeiros textos brasileiros em defesa da educação das mulheres.

A lista atravessa séculos e continentes. Também traz “Balada de Amor ao Vento”, da moçambicana Paulina Chiziane, de 1990, e “Canção para Ninar Menino Grande”, de Conceição Evaristo, de 2018.

A escolha tem motivo declarado. A Fuvest apresentou a lista como forma de corrigir a ausência histórica de autoras nas leituras do vestibular, que por décadas reuniram quase só escritores homens. O candidato encontra, então, vozes de épocas e lugares diferentes: a professora potiguar do século 19, a cearense que estreou jovem, a mineira que transforma memória em ficção, a moçambicana que escreve sobre o casamento no seu país.

Por que a lista muda devagar

Uma lista que muda todo ano obrigaria escolas, professores e cursinhos a refazer o planejamento a cada janeiro. A Fuvest prefere manter as obras por vários ciclos, e o anúncio sai com antecedência suficiente para que a escola encaixe os livros no currículo do ensino médio.

Para o candidato, a estabilidade tem um efeito prático: o livro comprado no primeiro ano continua valendo no terceiro. Quem lê cedo pode reler perto da prova, e a releitura é o que fixa nome de personagem, ordem dos fatos e trecho que a banca gosta de citar.

O tamanho das obras varia bastante. Um livro de poemas cabe numa tarde; um romance como o de Clarice pede atenção redobrada, porque a narradora pensa em voltas longas e quase nada acontece por fora. Ela abre o livro assim: “estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender.” A frase resume a leitura que o romance exige do estudante.

Por esse peso desigual, contar livros engana. Contar páginas acerta. Nove títulos podem somar pouco ou muito conforme a edição, a fonte e o tamanho da página, e por essa razão a conta começa com o exemplar que o candidato tem nas mãos, não com uma média tirada da internet.

A Fuvest avisa cedo e repete os títulos: quem começa no primeiro ano lê cada obra com calma e ainda sobra tempo para reler.

 
 

II  A Ficha

A soma, a divisão e a meta diária

Três números resolvem a conta: o total de páginas da lista, a data da prova e a folga para releitura.

Os dados para anotar antes de dividir:

Total de páginassoma dos 9 exemplares
Página contadaúltima com texto
Data da prova1ª fase, em novembro
Dias até a provacalendário
Folga de releitura30 dias
Meta diáriapáginas ÷ dias úteis

A soma pede o exemplar físico ou a ficha da edição digital. Abra cada livro na última página com texto da obra, ignore posfácio, notas e propaganda da editora, e anote o número. Some os nove.

Um exemplo ajuda a ver o tamanho do resultado. Suponha que a soma dê 1.800 páginas e que faltem 400 dias até a primeira fase. Dividindo, a meta fica em 4,5 páginas por dia, menos que um capítulo curto.

Agora o mesmo total para quem deixou para outubro do terceiro ano, com 40 dias até a prova. A meta sobe para 45 páginas por dia, todos os dias, sem pausa para simulado. O que separa os dois candidatos é só a data em que abriram o primeiro livro.

A folga de releitura entra antes da divisão. Separe os últimos 30 dias antes da prova para revisar resumos e reler trechos marcados, e divida as páginas apenas pelos dias anteriores. Assim a meta já carrega a revisão dentro dela.

Vale também descontar os dias que não rendem. Semana de provas do colégio, viagem de família e feriado prolongado comem leitura. Quem tira esses dias do calendário antes da conta chega a uma meta honesta, um pouco maior, mas cumprível.

A edição escolhida muda o total. Uma edição escolar com fonte grande e notas de rodapé pode ter o dobro de páginas de uma edição de bolso do mesmo romance. Pela mesma razão, a conta vale para o exemplar que você vai ler, e não para a edição que um colega usou.

A meta diária, por fim, é piso e não teto. Nos dias livres, ler além da cota adianta o calendário e cria reserva para a semana que der errado.

Quem lê no celular faz a mesma conta com a porcentagem do aplicativo de leitura. Transforme o total da lista em pontos percentuais por dia: se cada livro tem 100%, nove livros somam 900 pontos, e a divisão pelos dias segue igual.

 

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III  Já Está no Seu Plano

Um post-it na capa do primeiro livro

A lista da Fuvest já está no seu plano se você vai prestar o vestibular da USP em algum dos próximos anos. A conta da seção anterior vira rotina em seis passos, feitos numa tarde.

O roteiro em seis passos:

1. Reúna os nove exemplares, impressos ou digitais, e confira se cada título bate com a lista oficial publicada pela Fuvest.

2. Anote ao lado de cada título a última página com texto da obra e some os nove números.

3. Marque no calendário a data da primeira fase e conte os dias até ela, descontando 30 dias de releitura.

4. Risque os dias que não rendem: semana de provas, viagens e feriados longos.

5. Divida o total de páginas pelos dias que sobraram e arredonde para cima.

6. Escreva a meta num post-it e cole na capa do livro que você vai ler primeiro.

O passo 6 parece detalhe, mas é o que segura a rotina. A meta escrita na capa aparece toda vez que o livro sai da mochila, e o número pequeno convence o cérebro a começar.

A ordem de leitura também pesa. Comece pelo título que mais assusta enquanto a energia está alta: um romance denso como “A Paixão Segundo G.H.” rende mais em fevereiro do que em setembro, quando os simulados apertam.

Um caderno de leitura ajuda na releitura. Ao terminar cada capítulo, escreva três linhas: quem apareceu, o que mudou e um trecho que chamou atenção. Perto da prova, esse caderno substitui boa parte da segunda leitura completa.

Quando a meta falhar num dia, não dobre a cota do seguinte de uma vez. Espalhe as páginas atrasadas pelos próximos cinco dias. A rotina sobrevive ao atraso pequeno; o que derruba o plano é a cota impossível que nasce da tentativa de recuperar tudo numa noite.

Todo mês, refaça a conta com as páginas que faltam e os dias que sobram. Se a meta caiu, você está adiantado; se subiu, ajuste a rotina antes que a diferença cresça.

Teste hoje: pegue um livro da lista, leia por 15 minutos com cronômetro e conte as páginas. Multiplique pelos dias até a prova e compare com o total da lista: se o resultado passar do total, 15 minutos por dia já bastam.

“Quantas páginas por dia a lista da Fuvest pede de você?”

 
 
Quiz da edição

No exemplo numérico da edição, somando 1.800 páginas da lista e dividindo pelos 400 dias até a prova, qual é a meta diária de leitura?

A18 páginas por dia
B45 páginas por dia
C4,5 páginas por dia
D400 páginas por dia

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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