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A lista de leituras obrigatórias da Fuvest é o conjunto de obras literárias que a banca cobra no vestibular da USP. Em 2024, a Fuvest anunciou uma lista formada só por livros escritos por mulheres, válida para os vestibulares a partir de 2026.
Entre os títulos estão “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, publicado em 1964; “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles, de 1973; “Caminho de Pedras”, de Rachel de Queiroz, de 1937; e “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta, de 1853, um dos primeiros textos brasileiros em defesa da educação das mulheres.
A lista atravessa séculos e continentes. Também traz “Balada de Amor ao Vento”, da moçambicana Paulina Chiziane, de 1990, e “Canção para Ninar Menino Grande”, de Conceição Evaristo, de 2018.
A escolha tem motivo declarado. A Fuvest apresentou a lista como forma de corrigir a ausência histórica de autoras nas leituras do vestibular, que por décadas reuniram quase só escritores homens. O candidato encontra, então, vozes de épocas e lugares diferentes: a professora potiguar do século 19, a cearense que estreou jovem, a mineira que transforma memória em ficção, a moçambicana que escreve sobre o casamento no seu país.
Por que a lista muda devagar
Uma lista que muda todo ano obrigaria escolas, professores e cursinhos a refazer o planejamento a cada janeiro. A Fuvest prefere manter as obras por vários ciclos, e o anúncio sai com antecedência suficiente para que a escola encaixe os livros no currículo do ensino médio.
Para o candidato, a estabilidade tem um efeito prático: o livro comprado no primeiro ano continua valendo no terceiro. Quem lê cedo pode reler perto da prova, e a releitura é o que fixa nome de personagem, ordem dos fatos e trecho que a banca gosta de citar.
O tamanho das obras varia bastante. Um livro de poemas cabe numa tarde; um romance como o de Clarice pede atenção redobrada, porque a narradora pensa em voltas longas e quase nada acontece por fora. Ela abre o livro assim: “estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender.” A frase resume a leitura que o romance exige do estudante.
Por esse peso desigual, contar livros engana. Contar páginas acerta. Nove títulos podem somar pouco ou muito conforme a edição, a fonte e o tamanho da página, e por essa razão a conta começa com o exemplar que o candidato tem nas mãos, não com uma média tirada da internet.
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A Fuvest avisa cedo e repete os títulos: quem começa no primeiro ano lê cada obra com calma e ainda sobra tempo para reler.
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