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O Diário de Anne Frank é o registro escrito por Annelies Marie Frank, nascida em Frankfurt em 1929, durante os 25 meses em que ela viveu escondida dos nazistas em Amsterdã. A família tinha saído da Alemanha em 1933 e se instalado na Holanda, ocupada pelo exército alemão em maio de 1940.
O texto existe em camadas porque a própria autora o revisou. Os pesquisadores chamam de versão A o diário original, escrito no calor de cada dia, e de versão B a reescrita que Anne começou em 1944, já pensando num leitor de fora.
O rádio de Londres
A decisão de reescrever tem data. Em 28 de março de 1944, Gerrit Bolkestein, ministro da Educação do governo holandês no exílio, pediu pela rádio Oranje, emissora transmitida de Londres, que os holandeses guardassem diários e cartas do período da ocupação para um arquivo depois da guerra.
Anne ouviu o pedido no rádio do anexo. Nas semanas seguintes, ela escolheu um título para o futuro livro, Het Achterhuis (O Anexo dos Fundos), e inventou pseudônimos para todos os moradores, ela mesma inclusive.
A versão B corta repetições, junta entradas do mesmo dia e reescreve passagens da Anne de 13 anos com a cabeça da Anne de 14. Ela cobre o período de junho de 1942 a março de 1944. A partir daí, só existe a versão A.
O que o pai cortou
Otto Frank juntou as duas versões e criou uma terceira, que os pesquisadores chamam de versão C. A editora Contact, de Amsterdã, publicou o livro em 25 de junho de 1947, com o título escolhido pela filha.
Nessa montagem, ele deixou de fora as passagens sobre a descoberta do próprio corpo, sobre a menstruação e as críticas mais duras de Anne à mãe, Edith Frank. Também atenuou comentários sobre o casamento dos pais e sobre os outros moradores do esconderijo.
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A Anne mais conhecida do mundo é uma montagem feita pelo pai, a partir de dois textos da filha.
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O corte não esconde o essencial da história. A rotina do esconderijo, o medo dos bombardeios, o namoro com Peter van Pels e a vontade de virar escritora estão todos na edição de 1947.
A frase mais lembrada do diário sobreviveu a todas as versões. Em 5 de abril de 1944, Anne escreveu: “Quero continuar vivendo depois da minha morte!”. Ela não sobreviveu à guerra: morreu de tifo no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, no começo de 1945, poucas semanas antes da libertação do campo pelos britânicos.
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