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Agatha Christie publicou o romance pela Collins Crime Club, em Londres, no dia 6 de novembro de 1939, dois meses depois do começo da Segunda Guerra Mundial. Ela já tinha Hercule Poirot e Miss Marple na estante, e decidiu escrever um livro sem detetive nenhum.
O título britânico repetia o nome da cantiga infantil que estrutura a trama, e a cantiga usava uma palavra racista para os dez bonequinhos. A ilha também levava esse nome no texto de 1939.
Nos Estados Unidos, a Dodd, Mead lançou o livro no começo de 1940 com o título And Then There Were None (E então não sobrou nenhum), tirado do último verso da cantiga. A editora americana trocou também a ilha e os bonequinhos, que viraram índios.
Os dez da lista
Os convidados formam um retrato da classe média inglesa do entreguerras. Há um juiz aposentado, Lawrence Wargrave, um médico, Edward Armstrong, uma governanta, Vera Claythorne, um aventureiro, Philip Lombard, e um general reformado, John Macarthur.
Completam a lista uma senhora religiosa, Emily Brent, um rapaz rico e imprudente, Anthony Marston, um ex-policial, William Blore, e o casal de empregados da casa, Thomas e Ethel Rogers. Cada um carrega a culpa por um caso passado.
O convite chega assinado por U. N. Owen. Lido em voz alta em inglês, o nome soa como unknown (desconhecido), e é a primeira piada da autora sobre quem manda na ilha.
A ilha do livro tem modelo provável. A Burgh Island, ilhota da costa de Devon com um hotel art déco (estilo decorativo dos anos 1920 e 1930), costuma ser apontada como inspiração, porque Christie se hospedou ali e a maré isola o lugar do continente duas vezes por dia.
Por que o enredo funciona
A cantiga pendurada em cada quarto anuncia o próximo passo. O leitor sabe como o próximo hóspede vai cair e mesmo assim não adivinha quem é o responsável, porque a suspeita circula de um personagem para outro a cada capítulo.
Christie fecha todas as saídas. Não há barco, não há ninguém escondido na ilha, e a polícia que chega depois encontra só os dez corpos e nenhuma explicação. O mistério se resolve num epílogo: uma confissão dentro de uma garrafa, recolhida por um barco de pesca.
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A cantiga entrega a ordem dos acontecimentos e esconde o único dado que importa.
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Quem escreveu a confissão foi o juiz Wargrave, que fingiu a própria morte na metade da série para continuar agindo. A autora contou na Autobiografia, de 1977, que considerava o livro o mais difícil de planejar entre todos os seus.
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