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A saga de Kvothe espera o volume 3 desde 2011

Patrick Rothfuss publicou dois livros da trilogia, e o terceiro segue sem data. O leitor sabe o que leva e o que fica em aberto.

Estalagem vazia à noite, com uma espada pendurada atrás do balcão de madeira.

A estalagem onde Kvothe se esconde

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Uma estalagem vazia, um alaúde trancado num baú, uma espada presa na parede atrás do balcão. Os três pertencem ao mesmo homem e servem para esconder quem ele foi. O homem é Kvothe, herói do romance O Nome do Vento, romance de fantasia do escritor americano Patrick Rothfuss.

Na aldeia de Newarre, ele atende pelo apelido de Kote, serve ensopado e lava canecas. Os fregueses veem um estalajadeiro ruivo e calado. Nenhum deles desconfia que as canções de taverna contam a vida daquele sujeito.

Um escriba itinerante, conhecido só como Cronista, reconhece o dono da casa e pede a história verdadeira. Kvothe aceita com uma condição: vai levar três dias para contar tudo, e o Cronista não pode cortar nem resumir.

Cada dia de narração virou um livro. O primeiro saiu em inglês em 2007 e chegou às livrarias brasileiras pela editora Arqueiro em 2009. O segundo, O Temor do Sábio, saiu em inglês em 2011.

O terceiro dia continua sem papel. Rothfuss anunciou o título, The Doors of Stone (As Portas de Pedra), e a editora americana nunca marcou data de lançamento.

São quinze anos de intervalo entre o segundo volume e este outubro de 2026, mais tempo do que Kvothe leva para crescer dentro da história. Leitores que começaram a saga na escola hoje têm filhos, e a pergunta sobre o desfecho virou piada recorrente em fóruns de fantasia.

Para quem pega o volume de 2009 na livraria, a conta tem duas parcelas. A primeira se paga em dinheiro e em horas de leitura, como qualquer romance longo. A segunda se paga em espera: a história para no meio, sem previsão de desfecho.

Muita gente lê os dois volumes e não se arrepende. Outra parte desiste de começar só por saber do buraco. Decidir bem pede conhecer a trama, saber o que a coleção já entrega e ter um jeito barato de testar se o livro prende você.

A primeira peça mora na estalagem, onde a história abre numa noite de silêncio.

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I  O Livro em 3 Minutos

O ruivo atrás do balcão

A resposta de ontem

Em que ilha os leitores situam a casa da avó de Filipe?

Paquetá. O romance de 1844 fala só numa ilha da baía, mas a tradição carioca fixou a festa de Sant'Ana em Paquetá, e a ilha guarda até hoje a Praia da Moreninha e a Pedra da Moreninha, batizadas em homenagem a Carolina, a heroína de Joaquim Manuel de Macedo.

Patrick Rothfuss nasceu em 1973, em Madison, no Wisconsin, e começou a escrever a saga de Kvothe ainda na faculdade, nos anos 1990. O manuscrito cresceu durante anos, foi cortado em partes e só virou livro quando a DAW Books, editora americana de fantasia, comprou o projeto.

The Name of the Wind chegou às lojas em março de 2007. No mesmo ano, levou o Quill Award, prêmio literário americano votado por leitores, na categoria de ficção científica e fantasia.

O romance abre com uma imagem que os fãs sabem decorada. Em tradução livre, a primeira linha do original diz: “Era noite outra vez. A estalagem Waystone jazia em silêncio, e era um silêncio em três partes.” (Patrick Rothfuss, The Name of the Wind, 2007).

A moldura dos três dias

O livro alterna duas vozes. Na estalagem, um narrador em terceira pessoa mostra Kote, o Cronista e Bast, aprendiz misterioso do estalajadeiro. No resto, Kvothe fala em primeira pessoa e conta a própria infância.

Essa moldura faz o leitor saber desde a página um que o herói sobreviveu e terminou escondido. A tensão sai do caminho: o que deu errado entre o menino brilhante e o homem que lava canecas.

O que o primeiro dia conta

Kvothe cresce entre os Edema Ruh, trupe de artistas itinerantes que roda o reino em carroças. Um velho viajante, Abenthy, ensina ao menino a simpatia (a magia do livro, que liga dois objetos para transferir força ou calor de um ao outro).

A infância acaba numa noite de acampamento. O Chandrian, grupo de sete figuras que as lendas tratam como conto de criança, chacina a trupe inteira, pais incluídos. Kvothe escapa porque estava longe do fogo, brincando na mata.

A saga conta a lenda pela boca de quem sabe onde ela mente.

Ele passa os anos seguintes como menino de rua na cidade portuária de Tarbean. Aos quinze anos, entra na Universidade, a escola de magia do livro, e ganha um rival nobre, Ambrose, uma amiga que vive nos túneis, Auri, e uma paixão que nunca para no lugar, Denna.

Rothfuss escreve essa parte devagar, com páginas inteiras sobre taxas de matrícula, dívidas com agiotas e aulas de química. Quem procura batalha a cada capítulo estranha; quem gosta de ver um personagem se virar com pouco dinheiro encontra ali o melhor do livro.

O volume termina com Kvothe ainda adolescente, longe de vingar a família. O motivo do disfarce de Kote fica de fora: o texto sugere uma guerra que ele provocou e uma magia perdida, mas nem o primeiro nem o segundo volume dizem o que aconteceu. A resposta, se vier, mora no livro que ainda não saiu.

 
 

II  A Ficha

Dois dias contados, um por contar

A coleção tem dois volumes completos e um desfecho sem data: o leitor compra a ida e não sabe quando chega a volta.

A ficha da saga:

AutorPatrick Rothfuss
Lançamento originalmarço de 2007
Editora originalDAW Books
Título originalThe Name of the Wind
Editora no BrasilArqueiro
Chegada ao Brasil2009
Volume 2O Temor do Sábio
Volume 3sem data anunciada
Preçovaria por edição

A série se chama A Crônica do Matador do Rei, e o título já entrega parte do que o leitor ainda não leu. Nenhum dos dois volumes publicados mostra qual rei, nem por que ele caiu.

O que o segundo dia entrega

O Temor do Sábio pega Kvothe na Universidade e o tira de lá. Ele viaja para a corte de um nobre, enfrenta bandidos na floresta, passa uma temporada no reino das fadas e aprende a lutar com os Adem, povo de mercenários que fala com as mãos.

O segundo volume é bem mais grosso que o primeiro. Somados, os dois passam de mil páginas na edição brasileira, e quem lê duas horas por noite gasta semanas para atravessar a coleção.

O que o terceiro precisa resolver

As pontas soltas são muitas. Falta explicar quem é o Chandrian e por que ele caça quem fala dele, o que existe atrás da porta trancada da Universidade, quem é de fato Denna e como Kvothe virou Kote.

Ninguém de fora sabe quanto do terceiro livro existe. Betsy Wollheim, editora de Rothfuss na DAW Books, escreveu numa rede social em 2021 que não tinha lido uma linha nova da obra em anos. O autor nunca publicou um cronograma.

Os livros paralelos

Dois textos curtos saíram enquanto o terceiro não vinha. The Slow Regard of Silent Things, novela de 2014 sobre Auri, chegou ao Brasil como A Música do Silêncio. The Narrow Road Between Desires, de 2023, acompanha Bast numa tarde na aldeia.

Nenhum dos dois avança a trama principal. A novela de Auri, aliás, quase não tem diálogo e dividiu os leitores na época do lançamento, porque muita gente esperava pistas do volume final. Funcionam para o fã que quer mais daquele mundo, e não substituem o volume que fecharia a vida de Kvothe.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Já Está no Seu Plano

Cem páginas de prova

Quem gosta de fantasia longa, de narrador que se acha esperto e de mundo com regra própria de magia tem motivo para abrir o volume de 2009. Quem só lê série terminada pode deixar o livro na estante sem culpa.

Entre os dois grupos fica o leitor curioso, que quer saber se a voz de Kvothe compensa a espera. Para ele, o roteiro cabe numa semana:

1. Leia o prólogo e os capítulos da estalagem, antes de Kvothe começar a narrar.

2. Siga até a noite do acampamento, quando a trupe some.

3. Anote se quer saber mais da estalagem ou mais do menino.

4. Se a resposta for o menino, siga até a entrada na Universidade.

5. Se a resposta for nenhum dos dois, pare e devolva o livro emprestado.

O passo 1 separa quem tolera o ritmo lento. Os capítulos iniciais quase não têm ação, e quem trava ali dificilmente aguenta as páginas de aula, alaúde e dívida que vêm depois.

O passo 2 mostra a melhor carta do autor. A cena do acampamento é curta, seca e muda o tom do livro, e quem sente o golpe costuma seguir sem esforço.

O passo 3 testa a moldura. A estalagem guarda o mistério que os dois volumes não resolvem, e quem se prende a ela vai sentir mais a falta do terceiro livro.

O passo 4 confirma o investimento. A Universidade ocupa o miolo do primeiro volume, e quem gosta dessa parte gosta da série inteira.

Os dois primeiros volumes precisam valer sozinhos, porque o terceiro não tem data.

Quem segue a leitura sabendo do vazio lê de outro jeito. Presta atenção nas pistas da estalagem, aceita que algumas portas ficam fechadas e trata cada volume como uma noite completa de história.

Teste hoje: leia as primeiras 50 páginas do volume de 2009 com o celular em outro cômodo e anote o horário de início e de parada. Se passar de 40 minutos sem levantar e ainda quiser a página 51, os dois volumes cabem no seu ano; se parou antes de 20 minutos, deixe a saga para quando o terceiro sair.

 
 
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