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Marcelo, Marmelo, Martelo rende 3 noites em voz alta

Ruth Rocha juntou três histórias curtas num volume fino em 1976. Conte as histórias, conte as noites e só então compre o segundo livro.

Livro infantil aberto sobre a cama, com um abajur aceso ao lado.

Três histórias para três noites

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Uma cadeira rebatizada de sentador, uma bola levada embora pelo dono, duas amigas trocando de jeito. As três cenas moram no mesmo livro fino, Marcelo, Marmelo, Martelo, de Ruth Rocha, lançado em 1976.

O volume tem cara de história única. O nome comprido na capa sugere um conto só, e muita gente compra o livro achando que vai ler uma narrativa do começo ao fim numa noite.

Ao abrir, a surpresa aparece no sumário. São três histórias independentes, com personagens diferentes, cada qual com começo, conflito e desfecho próprios. Nenhuma depende da outra para fazer sentido. O leitor adulto percebe a divisão logo na primeira virada de página.

A diferença muda o uso do exemplar em casa. Um livro com uma história rende uma sessão de leitura e depois espera a releitura. Um livro com três histórias rende três sessões novas antes da primeira repetição, e a criança chega à terceira noite ainda sem saber o que vem.

Para quem lê em voz alta, o cálculo prático é simples: três histórias curtas cabem em três noites, uma por vez, com tempo de sobra para a conversa depois da última página. O livro pequeno vira uma pequena temporada.

Há também um efeito na decisão de compra. Quem termina um livro infantil em uma noite tende a correr para o próximo título da mesma autora, porque a criança gostou e pediu mais. Com três histórias, a pergunta sobre o segundo livro só aparece depois de três noites, e chega com mais informação.

Nessas três noites você descobre qual personagem a criança prefere, qual história ela pede de novo e qual ela esquece. O pedido de repetição é o melhor sinal de que vale comprar outro título da autora.

O caminho começa pelo próprio livro: quem escreveu, o que acontece em cada história e por que ele ficou nas estantes por tantas décadas.

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I  O Livro em 3 Minutos

Um menino rebatiza a casa inteira

Marcelo, Marmelo, Martelo é um livro infantil da escritora brasileira Ruth Rocha, nascida em 1931. Ela trabalhou como orientadora educacional em escola antes de virar autora, e começou a publicar histórias na revista Recreio no fim dos anos 1960.

O livro saiu em 1976 e se tornou um dos títulos mais conhecidos da autora. Continua em catálogo até hoje, pela editora Salamandra, e aparece com frequência nas listas de leitura de escolas brasileiras.

A primeira história

A história que dá nome ao livro acompanha Marcelo, um menino que pergunta o porquê de tudo. Ele quer saber por que a cadeira se chama cadeira e por que o leite se chama leite, e nenhum adulto tem resposta que o satisfaça.

Sem explicação, Marcelo resolve inventar os próprios nomes. A cadeira vira sentador, o travesseiro vira cabeceiro, o leite vira suco de vaca, e o cachorro da casa passa a se chamar Latildo.

Os pais acham graça no começo e depois se preocupam, porque ninguém entende o que o filho diz. O desfecho chega quando a casinha do cachorro pega fogo: Marcelo grita o aviso na língua dele, os adultos demoram a decifrar, e a cena obriga a família a aprender o vocabulário do menino.

A história brinca com uma dúvida real da infância: por que as palavras são as que são. Ruth Rocha não responde a dúvida com aula de gramática. Ela deixa o menino testar a própria solução e mostra o custo dela, que é ninguém mais entender o que ele diz.

As outras duas

A segunda história, Teresinha e Gabriela, fala de duas amigas tão diferentes que uma começa a copiar o jeito da outra. A troca dá errado, e as duas acabam descobrindo que gostavam mais de si mesmas como eram.

A terceira, O Dono da Bola, gira em torno de Caloca, o menino dono da única bola da turma. Ele impõe as regras do jogo e leva a bola embora sempre que perde. Os amigos acabam jogando sem ele, e Caloca descobre que a bola sozinha não faz partida.

Três histórias, três crianças diferentes e três conflitos que toda casa reconhece: a pergunta sem resposta, a comparação com o amigo e a briga pelo brinquedo.

O livro funciona porque cada história termina sem lição explicada no fim. A criança tira a conclusão sozinha, e é essa conclusão que ela quer discutir quando o livro fecha.

 
 

II  A Ficha

Três histórias num volume fino

O exemplar traz três histórias, e cada uma cabe numa noite de leitura em voz alta.

A ficha do livro:

TítuloMarcelo, Marmelo, Martelo
AutoraRuth Rocha
Lançamento1976
Históriastrês
Editora atualSalamandra
Leitura em voz altatrês noites
Preçovaria por loja

A ficha diz o tamanho do livro. O teste das noites diz quanto ele rende na sua casa, e esse número depende da criança, do horário e do ritmo de quem lê.

Como contar as histórias

Abra o sumário antes da primeira leitura e conte os títulos. Algumas edições trazem só a história principal em formato de livro ilustrado avulso, e o volume com as três costuma levar o subtítulo e outras histórias. Confira antes de comprar, porque o exemplar avulso rende uma noite só.

Depois, folheie cada história e marque onde ela termina. Saber o tamanho de antemão ajuda a planejar a noite: a história de Marcelo é a mais longa das três, e as outras duas fecham mais rápido.

Como contar as noites

Uma noite de leitura conta quando a história é lida inteira, do título à última linha, sem interrupção durante o conflito. Parar na metade e terminar no dia seguinte vale como uma noite só, não como duas.

Anote a data de cada leitura na contracapa ou num papel dentro do livro. Ao fim da terceira noite, você terá três datas e uma resposta: o volume inteiro foi lido, e a criança já conhece as três crianças do livro.

A quarta noite é a medida que importa. Se a criança pede uma das histórias de novo, o livro passou do rendimento previsto e ganhou releitura. Se ela não pede, as três noites já pagaram o exemplar, e a escolha do próximo título fica livre.

Por que contar antes de comprar

O segundo livro da mesma autora parece a escolha óbvia depois de uma boa noite. Ruth Rocha tem dezenas de títulos publicados, e a vontade de levar outro aparece rápido. A contagem segura essa vontade até haver dado: qual história pegou e qual não pegou.

Três noites também mostram o horário que funciona. Há criança que escuta melhor logo depois do jantar e criança que só presta atenção já deitada, com a luz baixa. Anotar a hora junto com a data revela esse padrão, e ele serve para qualquer livro que vier depois.

 

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III  Já Está no Seu Plano

Uma história por noite, três noites

O teste já está no seu plano de leitura se há um exemplar de Marcelo, Marmelo, Martelo em casa, na escola ou na biblioteca do bairro. O livro emprestado serve tão bem quanto o comprado, e o resultado ajuda a decidir a compra.

O roteiro das três noites:

1. Na primeira noite, leia a história de Marcelo inteira e pergunte qual nome inventado a criança achou mais engraçado.

2. Na segunda noite, leia Teresinha e Gabriela e pergunte com qual das duas amigas ela se parece mais.

3. Na terceira noite, leia O Dono da Bola e pergunte o que ela faria no lugar dos amigos de Caloca.

4. Anote a data e a resposta de cada noite num papel guardado dentro do livro.

5. Na quarta noite, ofereça escolher: uma das três histórias ou um livro diferente.

O passo 1 costuma render mais conversa do que as outras noites. Crianças pequenas gostam de inventar nomes para objetos da casa, e a brincadeira de Marcelo continua no café da manhã seguinte.

O passo 4 transforma a leitura em registro. Sem anotação, a lembrança das três noites se mistura, e a preferência da criança fica vaga.

O passo 5 é o teste propriamente dito. A escolha da criança, sem sugestão do adulto, mostra qual história ficou. Se ela escolhe Marcelo, o próximo livro da autora pode seguir pelo lado das palavras e das brincadeiras com linguagem. Se escolhe O Dono da Bola, as histórias de convivência e de turma tendem a funcionar melhor.

Se ela escolhe um livro diferente, o resultado também vale. As três noites renderam leitura completa, e o segundo livro de Ruth Rocha pode esperar até a criança voltar a pedir.

Vale repetir o roteiro com irmãos ou primos de idades diferentes. Cada criança pode escolher uma história diferente na quarta noite, e a comparação mostra que o mesmo livro rende leituras distintas dentro da mesma casa.

Três noites de leitura completa respondem antes da compra se o segundo livro da autora vai ser lido ou vai ficar na prateleira.

Teste hoje: leia a história de Marcelo inteira em voz alta e anote a data na contracapa. Repita com as outras duas nas noites seguintes e, na quarta noite, conte quantas vezes a criança pede uma delas de novo: um pedido já indica que o próximo livro da autora será lido. E Ruth Rocha já escrevia para crianças muito antes deste livro.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual foi a primeira história que Ruth Rocha publicou na revista Recreio, anos antes de Marcelo, Marmelo, Martelo?

 
 
Quiz da edição

Na terceira história do livro, qual é o nome do menino que leva a bola embora sempre que perde?

AMarcelo
BCaloca
CTeresinha
DGabriela

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