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Millennium depois de Larsson: parar no volume 3 ou seguir até o 6
A trilogia de Stieg Larsson saiu inteira depois de 2004, e três continuações chegaram a partir de 2015. Onde vale parar a compra.
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Os seis volumes de Millennium na estante
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Três manuscritos entregues, um quarto romance pela metade, um contrato assinado com uma editora sueca. Nada disso tinha virado livro impresso quando o jornalista Stieg Larsson saiu da redação da revista Expo, em Estocolmo, em novembro de 2004.
Larsson tinha 50 anos e passava as noites escrevendo ficção policial depois de um dia inteiro investigando grupos de extrema direita. Os três romances estavam prontos, revisados e vendidos. Ele nunca viu nenhum deles numa vitrine.
O primeiro chegou às livrarias da Suécia em 2005. Os outros dois vieram em 2006 e 2007. Em poucos anos, a série que ele batizou de Millennium passou a ser lida em dezenas de línguas, ganhou filmes na Suécia e em Hollywood e colocou Lisbeth Salander na lista das personagens mais conhecidas da ficção recente.
O sucesso criou um problema que nenhum leitor de trilogia costuma ter. A história de Larsson termina no terceiro volume, mas a estante da livraria mostra seis. Os volumes 4, 5 e 6 trazem as mesmas personagens, a mesma revista, a mesma capa com tipografia parecida, e foram escritos por outra pessoa, o jornalista sueco David Lagercrantz, a partir de 2015.
Quem termina o terceiro livro e gostou fica diante de uma escolha de compra. Seguir pela continuação autorizada pelos herdeiros, ou parar onde o criador parou e tratar a trilogia como obra fechada.
A decisão pesa no bolso e no tempo. São três livros de mais de 400 páginas cada, algo perto de 1.300 páginas a mais, o equivalente a um mês inteiro de leitura para quem lê 45 minutos por dia.
A faixa I resume o que a trilogia original conta e por que ela fecha um arco. A II reúne os dados dos seis volumes, com anos, autores e títulos no Brasil. A III monta um jeito de decidir sem gastar o preço de três livros no escuro.
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I O Livro em 3 Minutos
Uma hacker, um jornalista e três romances
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A trilogia gira em torno de duas figuras que se encontram por acaso. Mikael Blomkvist é jornalista econômico e sócio da revista Millennium, condenado por difamação depois de publicar uma denúncia contra um industrial. Lisbeth Salander é uma hacker de 24 anos, tatuada, arredia e tutelada pelo Estado desde a adolescência.
O primeiro volume, Os Homens que Não Amavam as Mulheres, junta os dois num caso antigo. Um empresário idoso contrata Blomkvist para descobrir o que aconteceu com uma sobrinha que sumiu numa ilha da família em 1966. Salander entra como pesquisadora, e a investigação expõe uma sequência de crimes contra mulheres.
O título original sueco, Män som hatar kvinnor, significa literalmente "homens que odeiam mulheres". A escolha não foi acaso: Larsson queria que o tema da violência contra a mulher estivesse na capa, e cada parte do livro abre com uma estatística sueca sobre agressões.
O segundo volume, A Menina que Brincava com Fogo, muda o foco para Salander. Ela vira suspeita de um triplo homicídio, foge da polícia, e o passado dela começa a aparecer: o pai, a internação psiquiátrica na adolescência, os funcionários do Estado que esconderam o caso.
O terceiro, A Rainha do Castelo de Ar, fecha a conta. Salander passa boa parte do livro num hospital e depois num tribunal, enquanto Blomkvist e a redação da Millennium montam a reportagem que expõe uma seção secreta da polícia de segurança sueca.
O ritmo também conta. Os dois primeiros capítulos do volume 1 são lentos, cheios de detalhes sobre finanças e sobre a família do empresário, e muita gente quase desiste ali. A partir da chegada à ilha, a investigação acelera e não para mais até o fim do terceiro livro.
Lidos em sequência, os três funcionam como um romance só, dividido em partes. O segundo termina num gancho direto para o terceiro, e o terceiro resolve as pendências abertas no primeiro capítulo do segundo.
Por isso a trilogia fecha um arco. O julgamento de Salander no volume 3 é o ponto de chegada da história que começou com a tutela dela no volume 1. Quem para ali não fica com pergunta aberta sobre a personagem central.
Larsson, porém, planejava mais. Segundo relatos da companheira dele, Eva Gabrielsson, o projeto tinha dez volumes, e o quarto estava em andamento no computador dele. Como os dois não eram casados e não havia testamento, os direitos da obra ficaram com o pai e o irmão do escritor, e o manuscrito incompleto nunca foi publicado.
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A trilogia de Larsson termina com o julgamento de Salander, e quem para no volume 3 fecha a história que ele escreveu do começo ao fim.
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II A Ficha
Seis volumes, dois autores, uma editora
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Os volumes 4 a 6 continuam as personagens, mas não usam nenhuma página do quarto livro que Larsson deixou pela metade.
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A ficha reúne os dados que separam uma fase da outra.
| Série | Millennium | | Volumes 1 a 3 | Stieg Larsson, Suécia, 2005 a 2007 | | Volumes 4 a 6 | David Lagercrantz, Suécia, 2015 a 2019 | | Editora no Brasil | Companhia das Letras | | Volume 4 | A Garota na Teia de Aranha, 2015 | | Volume 5 | O Homem que Buscava sua Sombra, 2017 | | Volume 6 | A Garota que Vivia Duas Vezes, 2019 |
A continuação nasceu de um acordo entre os herdeiros de Larsson e a editora sueca Norstedts. Lagercrantz, até então conhecido pela biografia do jogador Zlatan Ibrahimović, foi contratado para escrever a partir das personagens, sem acesso ao rascunho que ficou com Eva Gabrielsson.
O detalhe muda a leitura. O volume 4 não é o livro que Larsson começou: é uma história nova, montada por outro autor, que retoma Salander e Blomkvist alguns anos depois do tribunal.
O estilo também muda. Larsson escrevia com muita informação de bastidor, listas de compras, marcas de computador e páginas de contexto político. Lagercrantz enxuga as descrições e acelera os capítulos, com tramas ligadas a espionagem digital e inteligência artificial.
A recepção dividiu leitores e críticos. Parte elogiou a fidelidade à personagem de Salander; parte reclamou que a revista Millennium e a crítica social de Larsson ficaram em segundo plano.
O volume 4 virou filme em 2018, com o título A Garota na Teia de Aranha, estrelado por Claire Foy. A bilheteria ficou abaixo da adaptação americana do primeiro livro, de 2011.
Lagercrantz anunciou desde o começo que escreveria só três volumes, e cumpriu. Em 2022, a série seguiu com outra autora sueca, Karin Smirnoff, num ciclo novo que esta edição deixa fora da conta.
Para quem compra hoje, os seis volumes aparecem lado a lado com capas da mesma família visual. Vale conferir o nome do autor na lombada antes de levar, porque a numeração na capa nem sempre deixa claro onde termina a obra de Larsson.
Na prática, a estante tem três blocos: a trilogia original, a trilogia de Lagercrantz e a fase seguinte. Cada bloco fecha os próprios casos, e o leitor pode parar ao fim de qualquer um deles sem ficar com história pela metade.
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