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O Alquimista em braille pede uma prateleira inteira

O romance de Paulo Coelho cabe no bolso em tinta e vira uma pilha de tomos em relevo. Catálogo e trena resolvem antes do pedido.

Volumes de um romance em braille numa estante, ao lado de uma trena.

Um romance, vários volumes em relevo

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Uma trena de costura, um catálogo de biblioteca, uma prateleira vazia. Os três decidem se um romance em braille cabe na casa de quem vai lê-lo, antes de qualquer página chegar.

O exemplar em tinta que a maioria conhece mede poucos centímetros de lombada. A mesma história, transcrita para o sistema de pontos em relevo criado pelo francês Louis Braille, se espalha por vários volumes largos, de papel grosso, que tomam uma prateleira inteira.

Quem lê com os dedos aprende cedo a fazer a conta do espaço. O leitor que enxerga quase nunca pensa nela, e é justamente ele que costuma encomendar a transcrição para presentear um pai, uma filha ou um aluno.

O pedido parece simples. Escolhe-se o título, procura-se uma instituição que transcreve e espera-se a entrega. Na chegada, a caixa pesa bem mais que o previsto, e os volumes não entram no nicho reservado ao lado da cama.

O caso fica mais claro com um best-seller conhecido. O Alquimista, romance de Paulo Coelho lançado em 1988, conta a viagem de um pastor andaluz até as pirâmides do Egito e cabe numa edição de bolso fina.

Em braille, o mesmo enredo se divide em tomos. Cada letra vira uma cela (o retângulo de até seis pontos que forma um caractere), e a cela pede espaço fixo para o dedo reconhecer o desenho, sem fonte menor que economize papel.

Duas checagens evitam a surpresa: consultar no catálogo da instituição em quantos volumes o título já foi transcrito, e medir a estante com a trena antes de fazer o pedido. As duas cabem numa tarde e custam zero, porque o catálogo é público e a trena já mora na gaveta de costura.

Antes das medidas, vale conhecer o romance que serve de exemplo e entender como uma história tão curta atravessou dezenas de línguas.

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Quem banca a edição de hoje

Your fall escape awaits

Mountain air, city lights or somewhere new? There's still time to make your fall plans take flight with Alaska Airlines. See the fall foliage in Boston, sip cider in Seattle, or swap your flannel for a swimsuit and head to Hawai'i.

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I  O Livro em 3 Minutos

Um pastor atrás de um sonho

O Alquimista, de Paulo Coelho, acompanha Santiago, um jovem pastor da Andaluzia, no sul da Espanha. Ele dorme numa igreja abandonada, à sombra de um sicômoro (árvore da família das figueiras), e sonha duas vezes com um tesouro escondido perto das pirâmides.

Uma cigana interpreta o sonho e cobra uma parte do achado. Logo depois, um velho que se apresenta como rei de Salém fala a Santiago da Lenda Pessoal (no livro, a missão que cada pessoa nasce para cumprir) e o convence a vender as ovelhas.

A travessia

Em Tânger, no norte da África, Santiago perde o dinheiro para um golpista no primeiro dia. Para recomeçar, aceita trabalho numa loja de cristais no alto de uma ladeira, onde junta economias e muda a vitrine para atrair fregueses.

Com o dinheiro refeito, entra numa caravana que cruza o Saara. No grupo viaja um inglês que estuda alquimia (a arte antiga de tentar transformar metal comum em ouro) e carrega livros pesados atrás do mestre que procura.

A caravana para num oásis durante uma guerra entre tribos. Ali Santiago conhece Fátima, a moça por quem se apaixona, e encontra o alquimista do título, um homem que vive no oásis e decide guiá-lo pelo resto do caminho.

O desfecho

Perto das pirâmides, Santiago cava e não acha nada. Ladrões o surram, e o chefe do bando conta, rindo, um sonho que teve: um tesouro enterrado sob um sicômoro, numa igreja abandonada da Espanha.

O tesouro esperava no lugar da partida, e só a viagem inteira ensinou Santiago a procurá-lo ali.

Santiago volta à igreja onde dormia com as ovelhas, cava ao pé da árvore e encontra um baú de moedas e joias. O romance termina com ele pronto para voltar ao oásis, onde Fátima o espera.

A moral fica explícita nas últimas páginas: o caminho mudou quem procurava, e o baú só fez sentido depois dele. Muitos leitores guardam o livro por essa ideia, mais que pelo enredo.

Como o livro chegou longe

A primeira edição saiu pela pequena Editora Eco, no Rio de Janeiro, e vendeu pouco. Em 1990, a Rocco relançou o título, e o romance começou a subir nas listas brasileiras de mais vendidos.

A tradução inglesa da HarperCollins, em 1993, levou a história aos leitores de língua inglesa. Em 2009, o Guinness World Records registrou O Alquimista como o livro mais traduzido de um autor vivo.

A escrita ajuda a entender o alcance. As frases são curtas, os capítulos fluem sem divisão rígida e o vocabulário é simples, o que facilita a tradução e a leitura em qualquer idade.

 
 

II  A Ficha

Pontos que ocupam espaço

A história cabe no bolso em tinta; em relevo, ela pede caixa, prateleira e alguém disposto a medir antes.

A ficha do livro:

AutorPaulo Coelho
Lançamento1988
Editora originalEditora Eco
RelançamentoRocco, 1990
Sistema de leiturabraille
Criador do sistemaLouis Braille
Preçovaria por edição

A ficha mostra o romance e o sistema em que ele seria lido. O espaço que o braille exige vem de três escolhas físicas, todas ligadas ao tato.

Por que o relevo engorda o livro

Louis Braille publicou o método em 1829, em Paris, quando estudava no Instituto Nacional para Jovens Cegos. Cada cela combina até seis pontos em duas colunas de três, e cada combinação representa uma letra, um número ou um sinal.

A cela tem tamanho fixo, porque o dedo precisa sentir os pontos separados. Na tinta, uma fonte pequena aperta várias palavras na mesma linha; no relevo, não existe letra miúda, e cada página comporta muito menos texto.

O papel também pesa na conta. Ele precisa ser mais grosso que o de um romance comum para segurar os pontos sem amassar quando a mão passa por cima, e cada folha sai mais rígida e mais volumosa.

O relevo impede apertar as folhas umas contra as outras. Daí a encadernação fica mais larga, e o romance inteiro se divide em vários volumes para que cada um seja manuseável no colo.

A impressão nos dois lados

Muitas transcrições usam o interponto (impressão em relevo nas duas faces da folha, com os pontos de um lado deslocados em relação aos do outro). O recurso reduz o número de folhas, mas não deixa o livro tão fino quanto a edição em tinta.

Quem transcreve no Brasil

O braille chegou ao país pelas mãos de José Álvares de Azevedo, jovem cego que estudou em Paris e voltou ensinando o método. A campanha dele levou à criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em 1854, no Rio de Janeiro, hoje Instituto Benjamin Constant.

Em São Paulo, Dorina de Gouvêa Nowill fundou em 1946 a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, hoje Fundação Dorina Nowill para Cegos. As duas instituições mantêm catálogos de títulos já transcritos, e consultar a lista evita pedir do zero um livro que já existe em relevo.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Já Está no Seu Plano

A trena antes do pedido

A checagem já está no seu plano se você pensa em dar um romance em braille de presente, montar o canto de leitura de alguém cego ou abastecer a biblioteca de uma escola. Ela pede um catálogo aberto e uma trena.

O roteiro, de uma tarde só:

1. Procure o título no catálogo de uma instituição que transcreve braille.

2. Anote em quantos volumes o romance foi dividido.

3. Pergunte a altura, a largura e a espessura de cada volume.

4. Meça com a trena o vão livre da prateleira onde os livros vão morar.

5. Some as espessuras e compare com o vão antes de confirmar o pedido.

O passo 1 economiza meses. Um título que já consta do catálogo costuma ter matriz pronta, e a instituição só precisa reproduzir os volumes, sem refazer a transcrição.

O passo 2 dá a primeira ideia do espaço. A quantidade de volumes varia conforme a extensão do texto, o papel e a impressão em um ou dois lados, então o número certo está no catálogo, não num palpite.

O passo 3 pega quem só mede a largura. Volumes em braille costumam ser altos e fundos, e um nicho baixo de estante decorativa barra o livro mesmo quando sobra largura.

A conta do espaço se faz com o catálogo e a trena, nunca na hora em que a caixa chega.

O passo 4 inclui o peso. Prateleira fina de aglomerado, cheia de volumes de papel grosso, pode envergar no meio; uma tábua mais firme ou um apoio central resolve antes do problema aparecer.

O passo 5 fecha a escolha do lugar. Se a soma passa do vão, vale reservar uma prateleira baixa, ao alcance da mão de quem vai ler sentado, em vez de espalhar os volumes pela casa.

Guardar os tomos na ordem certa também conta. Uma etiqueta em braille na lombada de cada volume deixa o leitor achar sozinho a continuação, sem depender de ninguém para separar a sequência.

Vale ainda combinar a entrega. Uma caixa com todos os volumes pode passar de vários quilos, e quem recebe precisa de ajuda para subir escada ou abrir espaço antes do carteiro tocar a campainha.

Teste hoje: meça com a trena o vão livre da prateleira mais próxima da sua poltrona de leitura e anote em centímetros. Depois encoste ali três livros grossos da casa e conte quantos centímetros sobram ao lado deles.

 
 
Quiz da edição

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A1939
B1977
C1985
D1940

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