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Um museu em Paris, um quadro de Leonardo, uma sequência de números rabiscada no chão. Os três aparecem logo nos primeiros capítulos de O Código Da Vinci e prendem o leitor antes que ele perceba que entrou numa série.
O livro saiu nos Estados Unidos na primavera americana de 2003, pela editora Doubleday, e estreou no topo da lista de mais vendidos do jornal The New York Times. No Brasil, chegou em 2004 pela Sextante e ficou meses nas vitrines das livrarias.
O protagonista é Robert Langdon, professor de simbologia (o estudo dos símbolos e do que eles significam) na Universidade Harvard, um personagem inventado. Muita gente fechou o livro sem saber que Langdon já tinha estrelado outro romance.
Esse romance é Anjos e Demônios, publicado em 2000. Nele, Langdon vai ao Vaticano para impedir um atentado durante o conclave (a reunião fechada dos cardeais que escolhe o papa). O livro vendeu pouco no lançamento e passou quase despercebido.
Três anos depois, o sucesso de O Código Da Vinci mudou a sorte do volume anterior. Leitores que terminavam a aventura em Paris iam atrás de mais Langdon, encontravam Anjos e Demônios na prateleira e levavam para casa.
Em 2004, o The New York Times registrou os quatro romances de Dan Brown ao mesmo tempo na sua lista de mais vendidos, inclusive Anjos e Demônios. Um livro esquecido virou best-seller por causa do seguinte.
Daí nasce uma dúvida prática para quem chega agora: entrar na série pelo título famoso ou pelo primeiro? E, se a leitura engatar, quantos volumes cabem na estante?
A resposta depende de como os livros se ligam. Cada aventura de Langdon fecha a própria trama, e as referências ao passado do professor são poucas e curtas.
A seção I resume o enredo de O Código Da Vinci e o que ele conta sobre Anjos e Demônios. A II reúne os dados da série. A III monta a ordem de leitura e o tamanho da prateleira.
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I O Livro em 3 Minutos
Um curador, uma criptóloga e um Graal em Paris
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O Código Da Vinci, romance de Dan Brown lançado em 2003, acompanha Robert Langdon numa noite em Paris. A polícia o chama ao Museu do Louvre porque o curador Jacques Saunière foi atacado dentro da Grande Galeria e deixou mensagens cifradas antes de perder a vida.
A primeira frase do livro já monta a cena: “O renomado curador Jacques Saunière cambaleou pela passagem em arco da Grande Galeria do museu”, escreveu Dan Brown em O Código Da Vinci, em 2003.
Ao lado de Langdon entra Sophie Neveu, criptóloga (especialista em decifrar códigos) da polícia francesa e neta de Saunière. Ela percebe que as pistas foram deixadas para ela e que o inspetor Bezu Fache trata Langdon como suspeito.
As pistas misturam arte e matemática. Há a sequência de Fibonacci (série em que cada número soma os dois anteriores), anagramas (frases formadas pelas letras embaralhadas de outra) e referências a quadros de Leonardo da Vinci, como a Mona Lisa e A Última Ceia.
A caça leva a dupla a uma sociedade secreta, o Priorado de Sião, que segundo o romance protege o Santo Graal (na lenda, o cálice da Última Ceia). Para o livro, o Graal é outro objeto: a linhagem de Maria Madalena e de Jesus.
No caminho aparece o historiador britânico Leigh Teabing, obcecado pelo Graal, e Silas, um monge ligado ao Opus Dei (instituição da Igreja Católica formada sobretudo por leigos). A perseguição passa por Londres e termina na Escócia, na Capela de Rosslyn.
O desfecho responde às perguntas abertas. Teabing se revela o Mestre, figura que manipulava Silas; Sophie descobre que descende da linhagem que o Priorado guardava; e Langdon, de volta a Paris, conclui que o Graal estaria sob a pirâmide do Louvre.
E onde entra Anjos e Demônios? O Código Da Vinci cita de passagem um episódio de Langdon no Vaticano, sem contar o enredo nem o desfecho. Quem lê o livro de 2003 primeiro não perde nenhuma surpresa do livro de 2000.
O inverso também vale. Anjos e Demônios apresenta Langdon do zero, com a cena no laboratório do CERN (o centro europeu de pesquisa nuclear, na Suíça) que dá a partida na trama, e não depende de nada do Louvre.
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Cada romance de Langdon fecha a própria trama; a ordem de publicação muda o contexto do personagem, nunca o mistério do livro.
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II A Ficha
6 volumes, 25 anos e uma página de fatos
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A série tem 6 livros, e qualquer um deles funciona sozinho.
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A ficha reúne o que importa para escolher a porta de entrada.
| Autor | Dan Brown | | Primeira edição | Nova York, 2003, Doubleday | | No Brasil | 2004, Sextante | | Posição na série | 2º livro de Robert Langdon | | Volume anterior | Anjos e Demônios, 2000 | | Adaptação | filme de Ron Howard, 2006, com Tom Hanks |
A ordem completa da série, por ano de lançamento:
• Anjos e Demônios, 2000
• O Código Da Vinci, 2003
• O Símbolo Perdido, 2009
• Inferno, 2013
• Origem, 2017
• The Secret of Secrets (O Segredo dos Segredos, em tradução livre), 2025
A ficha explica a escolha deste livro. A Doubleday informou em 2009, no lançamento de O Símbolo Perdido, que O Código Da Vinci passava de 80 milhões de exemplares vendidos no mundo. Nenhum outro volume de Langdon chegou perto.
O sucesso trouxe barulho. Em 2005, o cardeal Tarcisio Bertone, então arcebispo de Gênova, pediu aos católicos que não lessem o romance, e o Opus Dei publicou notas contestando a imagem que o livro faz da instituição.
Houve também um processo. Em 2006, Michael Baigent e Richard Leigh, coautores do ensaio O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de 1982, acusaram Dan Brown de copiar a tese central. A Justiça inglesa deu ganho de causa à editora Random House.
O ponto mais discutido do livro está antes do capítulo 1, numa página chamada Fato: “Todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance são precisas”, escreveu Dan Brown em O Código Da Vinci, em 2003.
A página vale como aviso de leitura. O Priorado de Sião existiu como associação registrada na França em 1956, e os documentos que o ligam a Leonardo foram forjados por Pierre Plantard, como o próprio Plantard admitiu em 1993 diante de um juiz francês.
Na escolha da edição, confira se é a ilustrada. Ela traz fotos dos quadros, das igrejas e da pirâmide do Louvre, o que ajuda muito nas cenas em que Langdon descreve uma obra que o leitor nunca viu.
Outra pista é o título na capa. Algumas reimpressões saíram com selo do filme de 2006; o texto é idêntico, e só a capa muda.
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