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A primeira frase do livro nasceu num verso de folha de prova. Tolkien corrigia exames de alunos em Oxford, no começo dos anos 1930, quando escreveu numa página em branco: numa toca no chão vivia um hobbit.
Ele contou depois, numa carta de 1955 ao escritor W. H. Auden, que não sabia o que era um hobbit quando escreveu a linha. A história cresceu aos poucos, lida em voz alta para os quatro filhos, e passou anos guardada sem final.
O caminho até a editora
Uma ex-aluna, Elaine Griffiths, conhecia o manuscrito e comentou o texto com Susan Dagnall, funcionária da Allen & Unwin. Dagnall pediu emprestado, leu e convenceu Tolkien a terminar os últimos capítulos em 1936.
O dono da editora, Stanley Unwin, tinha um método próprio para livro infantil. Ele entregava o manuscrito ao filho Rayner, então com dez anos, e pagava pelo parecer escrito do menino.
O parecer de Rayner sobreviveu. Ele escreveu que Bilbo Bolseiro era um hobbit que morava na sua toca e nunca saía para aventuras, até que o mago Gandalf e os anões o convenceram a ir. Fechou dizendo que o livro servia para crianças de cinco a nove anos.
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Um menino de dez anos aprovou o livro que abriria a porta de O Senhor dos Anéis.
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O que a história conta
A trama segue Bilbo, um hobbit acomodado, convocado por treze anões e por Gandalf para recuperar o tesouro tomado pelo dragão Smaug na Montanha Solitária. No meio da viagem, ele encontra trolls, elfos, aranhas gigantes e uma criatura chamada Gollum.
No escuro de uma caverna, Bilbo acha um anel que deixa quem o usa invisível. Na edição de 1937, o anel é só um objeto mágico útil para escapar de apuros, e Gollum até promete entregá-lo como prêmio num jogo de adivinhas.
O tom é de história contada ao pé da cama. O narrador conversa com o leitor, faz piada, interrompe a ação para explicar costumes de hobbit, e a aventura termina com Bilbo de volta à toca, mais rico e menos respeitável aos olhos dos vizinhos.
O livro que pediu continuação
O sucesso de 1937 fez a editora pedir mais hobbits. Tolkien levou dezessete anos para entregar a continuação, e no caminho percebeu que o anel de Bilbo precisava pesar muito mais do que pesava no livro infantil.
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