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O Houaiss de 2.000 páginas contra uma aba grátis

O dicionário explica a palavra, o Volp da Academia confere a grafia. Uma semana de caderno mostra qual dos dois você abre.

Dicionário Houaiss aberto sobre a mesa ao lado de um notebook com o Volp na tela e um caderno de duas colunas.

Uma semana, duas colunas, duas fontes

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Um volume de capa dura com mais de 2.000 páginas, uma aba aberta no navegador, um caderno de espiral com duas colunas riscadas a lápis. Os três resolvem a mesma dúvida de quem escreve, e só o caderno sabe quantas vezes ela apareceu na semana.

O volume é o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, lançado em 2001 pela Editora Objetiva. A aba é o Volp, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras e aberto de graça no site da instituição.

Muita gente trata os dois como a mesma ferramenta em formatos diferentes. Não são. O Houaiss explica a palavra: o sentido, a origem, os usos regionais, o ano em que ela apareceu escrita pela primeira vez. O Volp responde a uma pergunta mais estreita: como a palavra se escreve e a qual classe gramatical ela pertence.

Quem escreve todo dia, seja relatório, mensagem para cliente ou trabalho de faculdade, esbarra nas duas dúvidas sem perceber a diferença. Em uma hora o problema é o hífen de “micro-ondas”. Em outra, o sentido exato de “ensejo” numa frase que precisa soar formal.

A compra do volume pesado costuma nascer de um impulso bonito, o desejo de ter a língua inteira na estante. Depois da compra, o livro vira enfeite e a consulta real acontece no buscador, em sites sem dono claro, com a grafia errada repetida por milhares de páginas copiadas umas das outras.

O caminho contrário também falha. Quem só usa o Volp descobre que “conspícuo” se escreve com acento e é adjetivo, e fecha a aba sem saber o que a palavra quer dizer.

A saída é contar antes de decidir. Uma semana de anotação mostra se a sua dúvida mais frequente é de grafia ou de sentido, e essa proporção diz qual das duas fontes merece o lugar ao lado do teclado.

Antes da contagem, vale conhecer o livro grosso por dentro: quem o planejou, o que cabe num verbete dele e por qual motivo ele demorou tanto para sair da gráfica.

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I  O Livro em 3 Minutos

O filólogo e o tijolo

Antônio Houaiss, filólogo (estudioso da língua a partir dos textos escritos) nascido no Rio de Janeiro em 1915, passou boa parte da vida adulta entre dicionários. Traduziu o “Ulisses”, de James Joyce, para o português, foi ministro da Cultura em 1993 e ocupou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

O projeto do dicionário com o nome dele reuniu uma equipe grande de lexicógrafos (os profissionais que escrevem e organizam dicionários) durante anos. Houaiss não viu o resultado impresso. Ele saiu de cena em 1999, com a obra ainda em andamento, e o volume só chegou às livrarias em 2001.

A Editora Objetiva anunciou, na primeira edição, 228.500 unidades léxicas, o termo técnico para cada palavra ou expressão registrada com explicação própria. O número colocou o Houaiss entre os maiores dicionários da língua portuguesa já impressos no Brasil.

O que cabe num verbete

O verbete (o bloco de texto dedicado a uma palavra) do Houaiss segue uma ordem fixa. Primeiro vem a grafia e a divisão silábica. Depois, a classe gramatical, as acepções numeradas (cada sentido possível da palavra, separado dos outros) e os exemplos de uso.

No fim do verbete aparecem dois campos que fizeram a fama da obra. A etimologia, a origem da palavra, mostra de qual língua ela veio e por quais formas passou. A datação, o ano do primeiro registro escrito conhecido da palavra em português, diz desde quando ela circula.

A datação é o detalhe que nenhum buscador entrega com dono. Ela permite saber, por exemplo, se uma palavra que parece moderna já aparecia em documentos de séculos atrás.

O verbete também marca a rubrica, a etiqueta curta que diz em qual área a palavra circula, como direito, medicina ou marinha, e o regionalismo, quando o sentido muda de um estado para outro. Quem revisa texto técnico usa essas etiquetas para não trocar um termo de ofício por um sinônimo de conversa.

O Houaiss responde de onde a palavra veio e o que ela significa; a grafia é só a primeira linha do verbete.

Por que o livro ficou tão grosso

O tamanho vem da soma desses campos. Uma palavra com dez acepções, etimologia longa e locuções derivadas (expressões fixas formadas a partir dela) ocupa meia coluna. Multiplique por centenas de milhares de entradas e o volume passa de 2.000 páginas em formato grande.

A versão de mesa pesa o bastante para pedir apoio próprio. A editora lançou depois versões menores, com menos verbetes, e uma versão digital por assinatura, mas o volume grande segue como a referência citada em sala de aula e em revisão de texto.

 
 

II  A Ficha

Duas fontes, duas perguntas

A ficha das duas obras:

Houaissdicionário completo
Lançamento2001, Editora Objetiva
Entradas228.500
Páginasmais de 2.000
Volpvocabulário ortográfico
EditorAcademia Brasileira de Letras
Entradascerca de 382 mil
Volp no navegadorgrátis

A ficha mostra a diferença de propósito. O Volp registra mais palavras porque cada entrada ocupa uma linha só: a grafia correta e a classe gramatical, sem definição, sem exemplo, sem origem.

O que o Volp resolve

A Academia Brasileira de Letras publica o Vocabulário Ortográfico desde 1943 e o atualiza quando a regra muda. A quinta edição, de 2009, incorporou o Acordo Ortográfico de 1990, o tratado entre os países de língua portuguesa que tirou o trema e mexeu no hífen e em alguns acentos.

A sexta edição, de 2021, saiu primeiro no site da Academia. A instituição informou cerca de 382 mil verbetes nessa versão, com palavras novas que o uso tinha consagrado nos anos anteriores.

Na prática, o Volp funciona como juiz de grafia. Se a dúvida é entre “autoestima” e “auto-estima”, ou entre “para-raios” e “pára-raios”, a busca no site devolve a forma oficial em poucos segundos.

O Volp diz como a palavra se escreve; o Houaiss diz o que ela quer dizer. Uma fonte não substitui a outra.

Onde cada um tropeça

O Volp não ajuda quem precisa escolher entre duas palavras parecidas. “Ratificar” (confirmar) e “retificar” (corrigir) aparecem lá com a grafia certa e a mesma classe, verbo transitivo, e nada diz qual delas cabe na sua frase.

O Houaiss impresso tropeça no tempo. Um volume de 2001 traz a grafia anterior ao Acordo Ortográfico, com trema e hífens que já não valem. Para grafia, o livro velho precisa da conferência no Volp.

O buscador comum tropeça nos dois casos. Ele devolve a forma mais repetida na internet, e a forma mais repetida nem sempre é a correta, porque páginas copiam umas das outras sem conferir a fonte oficial.

As duas falhas apontam para o mesmo hábito: saber qual pergunta você está fazendo antes de abrir a fonte. Grafia vai para o Volp. Sentido, origem e uso vão para o dicionário.

 

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III  Já Está no Seu Plano

Sete dias e duas colunas

A contagem já está no seu plano se você escreve algo todo dia e tem um caderno, um bloco de notas no celular ou a última página da agenda livre.

O roteiro da semana:

1. Risque uma linha vertical no meio da página e escreva “grafia” de um lado e “sentido” no outro.

2. Toda vez que parar de escrever por dúvida com uma palavra, anote a palavra na coluna certa.

3. Resolva as dúvidas de grafia no site do Volp e as de sentido no dicionário, impresso ou digital.

4. No sétimo dia, conte as palavras de cada coluna e escreva os dois totais no pé da página.

5. Ao lado de cada total, anote quantas vezes a primeira fonte consultada respondeu de primeira.

O passo 1 separa as perguntas antes de qualquer consulta. Sem a separação, a dúvida de grafia vai parar no dicionário e a de sentido vai parar no buscador.

O passo 2 pede disciplina pequena. Anotar leva cinco segundos, e a palavra escrita no caderno fixa melhor do que a palavra só pesquisada.

Uma semana de anotação diz qual fonte merece ficar aberta ao lado do teclado.

O passo 3 treina o atalho. Depois de três ou quatro dias, a mão já sabe para onde ir antes da cabeça decidir.

Vale anotar também a palavra que você resolveu de cabeça depois de hesitar. A hesitação conta como dúvida, mesmo sem consulta, e costuma revelar a mesma palavra voltando três ou quatro vezes na semana.

O passo 4 dá o número da semana. Se a coluna de grafia ganhar com folga, a aba do Volp resolve quase tudo e o volume pesado pode ficar na estante para consulta rara.

O passo 5 mede a qualidade da escolha. Se o dicionário impresso respondeu pouco por causa da grafia antiga, a conferência no Volp entra como rotina fixa depois dele.

Se a coluna de sentido ganhar, o Houaiss vale o espaço na mesa. Nesse caso, deixe o volume aberto perto do teclado, e não na prateleira de cima, porque livro que exige escada não é consultado.

Teste hoje: abra o caderno, risque as duas colunas e anote até domingo cada palavra que parar a sua escrita. O resultado esperado: entre dez e vinte palavras na semana, com uma coluna clara à frente. Antes de abrir o volume, repare no nome da capa.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Quem terminou o dicionário deixado inacabado por Antônio Houaiss em 1999?

 
 
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Quantas unidades léxicas a Editora Objetiva anunciou na primeira edição do Dicionário Houaiss, lançada em 2001?

A382 mil
B228.500
Cmais de 2.000
Dcerca de 100 mil

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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