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Antônio Houaiss, filólogo (estudioso da língua a partir dos textos escritos) nascido no Rio de Janeiro em 1915, passou boa parte da vida adulta entre dicionários. Traduziu o “Ulisses”, de James Joyce, para o português, foi ministro da Cultura em 1993 e ocupou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
O projeto do dicionário com o nome dele reuniu uma equipe grande de lexicógrafos (os profissionais que escrevem e organizam dicionários) durante anos. Houaiss não viu o resultado impresso. Ele saiu de cena em 1999, com a obra ainda em andamento, e o volume só chegou às livrarias em 2001.
A Editora Objetiva anunciou, na primeira edição, 228.500 unidades léxicas, o termo técnico para cada palavra ou expressão registrada com explicação própria. O número colocou o Houaiss entre os maiores dicionários da língua portuguesa já impressos no Brasil.
O que cabe num verbete
O verbete (o bloco de texto dedicado a uma palavra) do Houaiss segue uma ordem fixa. Primeiro vem a grafia e a divisão silábica. Depois, a classe gramatical, as acepções numeradas (cada sentido possível da palavra, separado dos outros) e os exemplos de uso.
No fim do verbete aparecem dois campos que fizeram a fama da obra. A etimologia, a origem da palavra, mostra de qual língua ela veio e por quais formas passou. A datação, o ano do primeiro registro escrito conhecido da palavra em português, diz desde quando ela circula.
A datação é o detalhe que nenhum buscador entrega com dono. Ela permite saber, por exemplo, se uma palavra que parece moderna já aparecia em documentos de séculos atrás.
O verbete também marca a rubrica, a etiqueta curta que diz em qual área a palavra circula, como direito, medicina ou marinha, e o regionalismo, quando o sentido muda de um estado para outro. Quem revisa texto técnico usa essas etiquetas para não trocar um termo de ofício por um sinônimo de conversa.
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O Houaiss responde de onde a palavra veio e o que ela significa; a grafia é só a primeira linha do verbete.
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Por que o livro ficou tão grosso
O tamanho vem da soma desses campos. Uma palavra com dez acepções, etimologia longa e locuções derivadas (expressões fixas formadas a partir dela) ocupa meia coluna. Multiplique por centenas de milhares de entradas e o volume passa de 2.000 páginas em formato grande.
A versão de mesa pesa o bastante para pedir apoio próprio. A editora lançou depois versões menores, com menos verbetes, e uma versão digital por assinatura, mas o volume grande segue como a referência citada em sala de aula e em revisão de texto.
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