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A primeira edição saiu em 18 de abril de 1857, em Paris, num volume de duas colunas por página. Trazia 501 perguntas numeradas, com as respostas atribuídas pelo organizador a espíritos consultados em sessões com diferentes médiuns, as pessoas que, segundo a doutrina, servem de canal para essa comunicação.
O livro esgotou rápido. Rivail, já assinando Allan Kardec, decidiu não apenas reimprimir. Ele reorganizou o material, acrescentou perguntas, desdobrou respostas longas em várias menores e mudou a ordem dos assuntos.
A segunda edição apareceu em 1860, também em Paris. A numeração foi até 1.019. Essa é a versão definitiva, a que serviu de base para as edições seguintes em francês e para praticamente todas as traduções que circulam hoje.
Quatro partes no lugar de três
A edição refeita divide as perguntas em quatro partes. A primeira trata das causas primárias: Deus, os elementos gerais do universo, a criação. A segunda descreve o mundo espírita, com a origem dos espíritos, a reencarnação e a vida entre uma existência e outra.
A terceira parte reúne as leis morais, como a lei do trabalho, a de sociedade e a de justiça, amor e caridade. É a mais longa do livro e a mais citada em palestras e grupos de estudo.
A quarta parte, mais curta, fala de esperanças e consolações: as penas e os gozos futuros, o que a doutrina descreve como consequência das escolhas feitas em vida. Ela termina na pergunta 1.019, sobre o reino do bem na Terra.
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A edição de 1860 é a obra que circula hoje; a de 1857 virou documento histórico.
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Por que o formato pegou
O modelo de pergunta e resposta vinha dos catecismos e dos manuais escolares do século XIX, que Rivail conhecia bem como professor. O leitor da época estava acostumado a estudar assim, um ponto de cada vez.
O formato também favoreceu a tradução. Cada resposta curta podia ser vertida e conferida isoladamente. No Brasil, a tradução de Guillon Ribeiro, publicada pela Federação Espírita Brasileira, e a de J. Herculano Pires tornaram o livro um dos títulos de não ficção mais vendidos no país ao longo do século XX.
Nas prateleiras de hoje, o livro segue em catálogo por várias editoras, em edição de bolso, de capa dura e digital, quase sempre com a numeração de 1860.
A longevidade tem explicação simples. Um livro de perguntas soltas serve tanto a quem estuda a doutrina em grupo quanto a quem só tem curiosidade histórica sobre o espiritismo francês do século XIX. Os dois leitores abrem no mesmo número e leem a mesma resposta.
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