A resposta de ontem Quem desenhou o cenário da estreia de Vestido de Noiva? Foi Tomás Santa Rosa, pintor e ilustrador paraibano conhecido pelas capas da Livraria José Olympio. Ele montou para Os Comediantes uma estrutura de níveis e escadas que separava realidade, memória e alucinação, e a luz de Ziembinski escolhia qual plano o público via a cada cena. |
O Nome da Rosa, romance de estreia do italiano Umberto Eco, professor de semiótica (o estudo dos signos e de como eles produzem sentido) na Universidade de Bolonha, conta uma investigação de sete dias. Em novembro de 1327, o frade franciscano Guilherme de Baskerville chega a uma abadia nas montanhas do norte da Itália para mediar uma disputa entre o papa e a ordem dele.
Ao lado dele vai Adso de Melk, um noviço (o religioso em formação, antes dos votos) beneditino. Adso narra a história já velho, décadas depois, e o livro se divide pelas horas canônicas, os horários fixos de oração do mosteiro, como matinas e vésperas.
Na chegada, o abade pede ajuda: um monge jovem apareceu sem vida ao pé de um penhasco. Nos dias seguintes, outros monges aparecem mortos, e os corpos guardam pistas que levam ao mesmo lugar, a biblioteca.
O labirinto dos livros
A biblioteca da abadia é a maior da cristandade dentro do romance, montada como um labirinto de salas no alto de uma torre. Só o bibliotecário e o ajudante dele podem entrar. Os outros monges pedem o livro e trabalham no scriptorium (a sala onde os monges copiavam manuscritos).
Guilherme passa a desconfiar de um volume específico. Os monges mortos tinham lido ou tentado ler o segundo livro da Poética de Aristóteles, o tratado sobre a comédia, que se perdeu na Antiguidade e nunca chegou até nós.
O guardião do segredo é Jorge de Burgos, monge velho e cego, convencido de que o riso destrói o temor a Deus. Ele envenenou as páginas do manuscrito: quem molhava o dedo na língua para virar a folha absorvia o veneno.
No sétimo dia, Guilherme encontra Jorge na sala selada da biblioteca, chamada finis Africae (o fim da África). Jorge come as páginas envenenadas para que ninguém leia o livro, uma lamparina cai e o fogo consome a biblioteca e a abadia inteira em três dias.
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O crime do romance é um livro: os monges caem por querer ler a única cópia de um texto sobre o riso.
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O título vem do último verso do romance, em latim: “Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus” (a rosa antiga permanece no nome, guardamos só os nomes nus). Eco tirou a linha do poema De contemptu mundi (Sobre o desprezo do mundo), escrito por Bernardo de Cluny, monge do século XII.
Por que virou best-seller
O livro ganhou o Prêmio Strega, o principal da literatura italiana, em 1981, e saiu em dezenas de línguas. Em 1986, o diretor francês Jean-Jacques Annaud levou a história ao cinema, com Sean Connery no papel de Guilherme.
O que segurou o público foi a mistura: romance policial na estrutura, com o detetive e o assistente à moda de Sherlock Holmes e Watson, e romance histórico no cenário. O sobrenome Baskerville acena para O Cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle.
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