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Os recordes que mudam de dono entre 2 volumes do Guinness
O Guinness World Records sai todo ano desde 1955, e abrir 2 volumes seguidos mostra quantos recordes trocaram de nome.
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Dois volumes do Guinness abertos na mesma página
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Um cronômetro, uma fita métrica, uma balança de precisão. Os três instrumentos viajam na mala de quem julga recorde para o Guinness World Records, e cada número que eles medem pode durar décadas ou cair em poucos meses.
O livro que guarda esses números sai em volume novo todo ano, quase sempre em setembro, e a capa já traz o ano seguinte. Quem compra em 2026 leva para casa a edição 2027. A anterior, com 2026 na capa, continua na estante de muita gente, com páginas que envelheceram sem ninguém perceber.
Envelheceram porque recorde troca de dono. Um atleta corre mais rápido, uma abóbora pesa mais, um grupo maior se junta para dançar a mesma coreografia. Quando o novo número é medido e aprovado pelos juízes da empresa, o nome antigo sai da página e outro entra.
O leitor raramente vê a troca acontecer. Folheia um volume, se espanta com a unha mais longa ou com a maior coleção de patinhos de borracha, e fecha o livro. A mudança só aparece quando dois anos ficam abertos na mesma mesa, página contra página.
A proposta desta edição é fazer a comparação com as próprias mãos. Dois volumes, o deste ano e o do ano passado, e uma contagem simples: quantos registros mudaram de nome entre um e outro. Uma biblioteca pública ou um sebo costuma ter os dois, e a conta cabe numa tarde.
O exercício também devolve ao livro a função que ele teve na origem. O Guinness foi pensado para ser consultado, discutido e conferido, e não só folheado na sala de espera do dentista.
Antes da contagem, vale saber de onde o livro veio. A faixa I conta como uma discussão sobre aves numa caçada na Irlanda virou uma das séries de livros mais vendidas do planeta; a II reúne os dados do volume e explica o que muda de um ano para o outro; a III monta o método da comparação.
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I O Livro em 3 Minutos
A caçada em Wexford e as duas aves
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O Guinness World Records nasceu de uma discussão sem resposta. Em 10 de novembro de 1951, Sir Hugh Beaver, diretor-geral da cervejaria irlandesa Guinness, participava de uma caçada em North Slob, no condado de Wexford, na Irlanda, e errou o tiro numa tarambola-dourada (ave de pernas longas que vive em campos abertos).
No jantar, a conversa virou disputa: qual era a ave de caça mais rápida da Europa, a tarambola-dourada ou o tetraz-vermelho (ave de caça típica das charnecas britânicas)? Ninguém na mesa sabia, e nenhum livro da casa trazia a resposta.
Beaver percebeu que discussões assim aconteciam todas as noites nos pubs (bares tradicionais britânicos e irlandeses) do Reino Unido e da Irlanda. Um livro com as respostas resolveria as brigas e, de quebra, levaria o nome da cervejaria a cada balcão.
Para escrever o livro, ele precisava de gente obcecada por fatos. O corredor Christopher Chataway, funcionário da Guinness, indicou dois amigos: os gêmeos Norris e Ross McWhirter, que mantinham em Londres uma agência que fornecia dados e estatísticas para jornais.
Os irmãos foram contratados em 1954 e passaram meses em jornadas que entravam pela madrugada. Checavam cada número com cartas a especialistas, museus e universidades, um método de conferência que a empresa mantém com juízes próprios.
A primeira edição, The Guinness Book of Records, saiu em 27 de agosto de 1955, com 198 páginas e capa verde. A ideia inicial era distribuir exemplares de graça nos pubs. Antes do Natal daquele ano, o livro já liderava a lista de mais vendidos do Reino Unido, e a cervejaria passou a vendê-lo nas livrarias.
O sucesso pediu uma decisão: o livro precisava de volume novo todo ano, porque os números mudavam. A partir dali, cada edição passou a corrigir a anterior, trocando nomes, marcas e fotos.
Norris McWhirter seguiu à frente do livro por décadas e virou rosto conhecido na televisão britânica: no programa Record Breakers, da BBC, respondia de memória às perguntas de crianças sobre recordes, sem consultar papel.
Sobra a pergunta que começou tudo. Esta edição não conseguiu confirmar, em fonte da própria empresa, qual das duas aves o livro de 1955 apontou como a mais rápida: o relato oficial publicado pela Guinness World Records guarda a discussão e não detalha a resposta, e as versões que circulam com um vencedor divergem entre si.
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O livro foi feito para encerrar discussões de bar, e cada volume novo reabre algumas, porque o recorde de um ano pode não valer no seguinte.
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II A Ficha
Um volume por setembro desde 1955
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O livro impresso mostra só uma parte do arquivo de recordes, e a parte escolhida muda de um ano para o outro.
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A ficha reúne os dados que ajudam a escolher os dois volumes da comparação.
| Título original | The Guinness Book of Records | | Título atual | Guinness World Records, desde 2000 | | Primeira edição | Londres, 27 de agosto de 1955 | | Páginas da primeira edição | 198 | | Criadores | Norris e Ross McWhirter | | Periodicidade | um volume por ano, lançado em setembro | | Ano na capa | o ano seguinte ao lançamento |
O volume impresso funciona como vitrine. Segundo a própria empresa, o arquivo de recordes ativos é muitas vezes maior que o livro, e cada volume anual imprime só uma seleção, escolhida pela equipe editorial pela foto, pela novidade ou pelo interesse do público.
Dessa escolha nasce a armadilha da comparação. Um recorde que some do volume novo nem sempre caiu: às vezes só ficou fora da seleção. Recorde quebrado é outro caso, porque a página traz o mesmo título com outro nome e outro número.
Os capítulos mudam pouco entre um ano e o seguinte. Corpo humano, animais, ciência e tecnologia, esportes e cultura pop aparecem nas edições recentes, o que facilita encontrar a mesma página nos dois livros.
Os recordes esportivos são os que mais trocam de dono, porque cada temporada produz novas marcas medidas em competição oficial. Os de coleção, como a maior coleção de patinhos de borracha, mudam só quando alguém junta mais peças e pede a medição.
Toda troca passa por verificação. O candidato envia provas (vídeo, fotos, depoimentos de testemunhas) ou paga para ter um juiz da empresa no local; o recorde só entra no arquivo depois de aprovado.
O título também mudou. O livro se chamou The Guinness Book of Records até 1999 e passou a sair como Guinness World Records em 2000, nome que a empresa usa até agora.
No Brasil, a tradução sai por editora nacional e pode chegar às livrarias meses depois do original. Vale conferir na ficha catalográfica o ano do volume em inglês, porque é ele que define quais recordes estão impressos.
O preço varia entre capa dura nova e exemplar usado. Para a comparação, o volume do ano passado comprado em sebo resolve tão bem quanto o novo.
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