|
|
|
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
|
|
|
Você escolhe as próximas edições: a votação está no fim desta edição.
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
Os Sertões pode começar pela 3ª parte
Euclides da Cunha publicou o livro em 1902. A Luta, a parte que narra Canudos, ocupa mais da metade das páginas.
|
Os Sertões com marcadores em cada parte
|
| ▼ |
| |
|
Um mapa de relevo, um retrato de vaqueiro, um diário de guerra. Os três estão no mesmo livro, nessa ordem, e só o último costuma ser lido até a última linha.
O livro é Os Sertões, de Euclides da Cunha, lançado no Rio de Janeiro em dezembro de 1902 pela editora Laemmert. A primeira tiragem acabou em poucos meses, e o autor entrou para a Academia Brasileira de Letras no ano seguinte.
Euclides dividiu a obra em três partes com títulos secos: A Terra, O Homem e A Luta. A primeira descreve o solo, o clima e as secas do interior da Bahia. A segunda descreve o sertanejo. A terceira narra a guerra de Canudos, travada entre 1896 e 1897.
O desenho faz sentido para quem escreveu. Euclides era engenheiro e queria provar que o conflito nascia do chão e da gente antes de nascer da política. Para o leitor de hoje, o desenho cobra um pedágio alto logo na entrada.
A Terra abre com páginas sobre rochas, rios secos e planaltos, num vocabulário de geologia (o estudo das rochas e do relevo) que poucos leitores conhecem. Muita gente fecha o volume ali, convencida de que o livro inteiro é um tratado de ciência, e nunca chega à guerra.
A guerra, porém, é a maior fatia. Na maioria das edições, A Luta ocupa mais da metade das páginas, e é nela que estão as cenas que deixaram o livro famoso: as quatro expedições do Exército, o arraial cercado e a resistência que durou até o último defensor.
Daí a pergunta prática: dá para entrar pela terceira parte e voltar depois ao começo? Dá, com um método simples que pede só o sumário e um lápis.
A seção I resume o que cada parte entrega. A II traz os dados para reconhecer uma boa edição. A III monta a ordem de leitura que começa por Canudos.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I O Livro em 3 Minutos
Um planalto, um vaqueiro e 4 expedições
|
|
Os Sertões, de Euclides da Cunha, conta a guerra de Canudos, o arraial do sertão da Bahia que o Exército brasileiro arrasou em outubro de 1897. Euclides acompanhou a fase final da campanha como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo e levou cinco anos para transformar as anotações em livro.
O arraial tinha um líder religioso, Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro. Ele pregava pelo sertão havia décadas e, em 1893, fixou-se numa fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris. Milhares de sertanejos pobres foram morar ao redor dele.
A Terra, a primeira parte, explica o cenário. Descreve a caatinga (mata seca e espinhenta do Nordeste), as plantas que guardam água, o ciclo das secas e o relevo que dificultava a marcha das tropas. É a parte mais técnica e a mais curta.
O Homem, a segunda, trata de quem vivia ali. Euclides descreve o vaqueiro, o trabalho com o gado, as festas e a fé, e narra a trajetória de Antônio Conselheiro até Canudos. A parte também carrega as teorias raciais da época, hoje desacreditadas, que tratavam a mistura de povos como defeito.
Dessa parte vem a frase mais citada do livro: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, escreveu Euclides da Cunha em Os Sertões, em 1902. A frase corrige o próprio autor, que páginas antes descreve esse sertanejo como desajeitado e lento.
A Luta, a terceira, narra as quatro expedições militares. A primeira, no fim de 1896, tinha pouco mais de cem soldados e recuou. A segunda também fracassou, e a terceira, comandada pelo coronel Antônio Moreira César, terminou em debandada e com o coronel ferido de modo fatal.
A quarta expedição reuniu milhares de soldados, canhões e reforços de vários estados. O cerco durou meses, e o arraial caiu em 5 de outubro de 1897. Euclides chegou a tempo de ver as últimas semanas e anotou tudo em cadernetas.
Antes da viagem, ele tinha publicado no jornal um artigo chamado A Nossa Vendeia, comparando Canudos a uma revolta monarquista da França. No sertão, viu outra realidade: gente pobre defendendo as próprias casas. O livro nasceu dessa mudança de opinião.
O livro registra o desfecho sem enfeite. Os defensores não se entregaram, e os últimos foram vencidos lutando. Antônio Conselheiro já tinha sido enterrado no arraial semanas antes, de doença, segundo os relatos da época.
|
A Luta funciona sozinha porque narra a guerra do primeiro tiro ao último defensor; A Terra e O Homem explicam por que ela aconteceu.
|
|
|
|
|
|
II A Ficha
1902, Laemmert e o peso de cada parte
|
|
A terceira parte é a maior do livro e a única que se lê como romance de guerra.
|
A ficha reúne os dados que ajudam a escolher a edição.
| Autor | Euclides da Cunha | | Primeira edição | Rio de Janeiro, 1902, Laemmert | | Partes | A Terra, O Homem, A Luta | | Maior parte | A Luta, mais da metade do livro | | Fato narrado | guerra de Canudos, 1896 a 1897 | | Direitos | domínio público |
A ficha explica a escolha deste livro. Os Sertões virou best-seller em 1903, quando a segunda edição saiu poucos meses depois da primeira, e segue nas listas de leitura de vestibular e nas estantes de clássicos brasileiros.
O texto está em domínio público, o que gera dois tipos de edição. Há as anotadas, com notas de rodapé que traduzem o vocabulário de época, e há as sem notas, mais baratas, que reproduzem o texto puro. Para Os Sertões, a nota faz diferença.
O motivo está no vocabulário. Euclides usa termos de geologia, de botânica e do sertão, como umbuzeiro (árvore que guarda água nas raízes) e jagunço (sertanejo armado), sem explicar nenhum. Uma edição sem notas obriga o leitor a abrir o dicionário a cada página de A Terra.
Entre as edições anotadas, a crítica Walnice Nogueira Galvão, professora da Universidade de São Paulo, preparou uma das mais usadas no país, com texto fixado (conferido contra as edições revistas pelo autor) e notas extensas.
Outra pista é o mapa. Edições cuidadosas reproduzem os mapas e os esboços do terreno que Euclides incluiu, além das fotos da campanha. Sem eles, a descrição do cerco fica difícil de acompanhar.
O sumário resolve a questão principal. Ele mostra a página em que começa cada parte, e uma subtração simples dá o tamanho de cada uma. Na maioria das edições, a conta confirma A Luta com mais da metade do volume.
Essa conta também revela as edições condensadas. Se A Terra some do sumário, ou se o livro inteiro tem poucas páginas, você está diante de uma adaptação, e não do texto de Euclides.
Vale ainda conferir o prefácio. Edições com uma introdução curta de um especialista situam a guerra, o autor e as teorias da época em poucas páginas, e preparam o leitor para entrar direto pela terceira parte.
|
| |
|