A resposta de ontem Qual navio afundado em 1820 inspirou o desfecho do Pequod? Foi o Essex, baleeiro de Nantucket atacado por um cachalote em novembro de 1820. O imediato Owen Chase publicou o relato do naufrágio em 1821, e Melville leu o livro a bordo de outro baleeiro, o Acushnet, nos anos 1840. O exemplar anotado por ele está hoje na biblioteca da Universidade Harvard. |
Vestido de Noiva conta a história de Alaíde, uma moça do Rio de Janeiro que sofre um atropelamento logo no começo da peça. Enquanto os médicos tentam salvá-la numa mesa de operação, a cabeça dela trabalha sem parar.
Nelson Rodrigues dividiu a ação em três planos. O plano da realidade mostra o hospital, a redação dos jornais e a família lá fora. O plano da memória traz de volta o casamento de Alaíde com Pedro e a rivalidade com a irmã, Lúcia.
O terceiro plano é o da alucinação. Nele aparece Madame Clessi, uma cortesã do começo do século cujo diário Alaíde tinha lido no sótão da casa nova. Clessi conversa com Alaíde como se as duas fossem amigas antigas.
A escolha de Clessi diz muito sobre a peça. Alaíde, moça de família, sente fascínio por uma mulher que viveu fora das regras e cujo nome saiu nos jornais por escândalo. A conversa entre as duas expõe o que a noiva não diria em voz alta para ninguém da casa.
Como o leitor acompanha os saltos
Os três planos se misturam sem aviso. Uma fala da memória é cortada por uma frase seca do médico, e logo depois Clessi reaparece pedindo detalhes do vestido de noiva.
No palco, a luz separava os planos. No livro, quem faz esse trabalho são as rubricas. Cada vez que o texto troca de plano, uma indicação curta avisa onde a cena está acontecendo.
Quem lê depressa pula as rubricas e se perde na segunda página. Quem lê as rubricas em voz alta, como se fosse o narrador da cena, acompanha os saltos sem esforço.
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Em Vestido de Noiva, a rubrica é o mapa: lida em voz alta, ela diz em qual dos três planos você está.
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O que a peça guarda para o fim
A pergunta que move os três atos é simples. O que aconteceu entre Alaíde, Pedro e Lúcia antes do acidente, e quanto disso a própria Alaíde aceita lembrar?
A memória dela falha de propósito. Ela confunde o rosto da mulher de véu que aparece nas lembranças, troca a ordem dos fatos e mistura a própria história com a de Clessi.
O leitor monta o quebra-cabeça junto com a personagem. Essa montagem é o motivo de a peça render tanto numa leitura em voz alta: cada peça encaixada aparece no tom de quem lê.
O terceiro ato fecha o enigma e devolve o foco para Lúcia, a irmã. A última cena traz de volta a marcha nupcial, e a peça termina com uma imagem que muitos leitores lembram anos depois.
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